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Isso dói...


"Já havia se passado uma semana e as coisas estavam começando a melhorar, eles já estavam se falando e aquilo me deixava mais tranqüilo. A família do meu pai não teve foto alguma para provar nada, e nem fez questão de explicar alguma coisa, tudo já estava bem claro para todos naquela família não queria o bem do meu pai e da minha mãe juntos, não conseguia entender bem o porquê, mais tinha certeza que para mim eles já não eram os melhores tios e tias que eu já tive.
 Tudo estava calmo, e apenas uma nova coisa apareceu na nossa vida, meu pai havia resolvido todo final de semana ir jogar bola com os amigos dele, para mim algo normal para um homem, para minha mãe era um motivo a mais para desconfiar do meu pai, eu achava desnecessário, até hoje.
'Tenho que lhe dizer algo garoto. '
'O quê?'
'Você vai ter que se mudar. '
'Por quê? Para onde? Como assim?'
'Seus pais vão se separar e você terão que sair daqui. '
'Eu não quero sair daqui, essa é a minha casa, eu tenho direito de escolher aonde eu quero ficar. '
'Tenha certeza que sair daqui será à melhor opção. '
'O que esta acontecendo? Explica-me. '
'Você em breve vai saber. '
'Eu não quero saber em breve, se você não vai me contar, por que me disse tudo isso? Para me deixar curioso? Para me preocupar?'
'Para você não ser pego de surpresa, coisa que seria desagradável demais. '
'E agora você acha que esta tudo bem?'
'Eu sei como tudo esta, eu estou dentro dessa mente teimosa que você tem, posso ver ouvir e sentir tudo, até mais do que você, por ser uma criança inocente e fraca demais para sobreviver sozinho. '
'EU SOBREVIVI 7 ANOS SEM VOCÊ, POSSO VIVER MUITO MAIS!'
'Pode é?'
'CONCERTEZA EU POSSO. '
'Idiota você de pensar isso, agora se cale e grave bem isso, sua mãe em breve vai ir à casa da amiga dela, você vai pedir para ficar em casa, você la só vai piorar as coisas e eu não poderei estar aonde ela vai, então fique aqui, seu pai ira chegar com uma cara não muito agradável, não tente gracinhas, fique na sua e apenas veja tudo acontecer.'
 Fiquei um poço assustado com a descrição do futuro que foi mi dada, tudo aconteceu como ele havia dito, minha mãe disse que sairia e perguntou se eu gostaria de ir junto, resolvi seguir o conselho daquela bendita voz e ficar em casa para ver no que tudo aquilo iria dar, ela saiu e depois de algum tempo meu pai chegou, com um olhar de quem tinha sofrido para chegar até em casa.
'O que está acontecendo?'
'Shiii, quieto garoto. '
 Meu pai foi tomar seu banho, depois de cerca de 20 minutos ele ainda não tinha saído, achei aquilo super estranho, pois nos seus banhos ele nunca passou de 5 minutos.
'Vou ver o que esta acontecendo. '
'Fica ai garoto e não ouse se mexer. '
 Aquela voz dessa vez estava diferente, de certa forma ela me deu medo, fez meus músculos pararem totalmente e eu senti um enorme frio subir pela minha coluna até os fios de cabelo na minha nuca, aquilo me fez tremer as bases, acabei preferindo ficar sentado no local onde estava se mexer àquela hora me parecia uma péssima idéia. Ouvi alguém chegar, era minha mãe, mas ela estava diferente, tinha uma tristeza enorme nos seus olhos que estavam cheios de lagrimas que pareciam estar presas la dentro, aquilo me deixou preocupado.
'O que esta acontecendo?'
'Vá para fora, se sente na escada la fora, observe sua rua, apenas faça isso, tape os ouvidos.'
'Por quê?'
'Faça e cala a boca. '
 Levantei-me e sai imediatamente, parecia que a conversa que aconteceria naquela casa, não era para os meus ouvidos, chegando ao corredor, dei uma enorme disparada até o portão do corredor, queria sair antes que ouvi-se algo, tinha medo do que eu poderia ouvir.
'Estou com medo. '
'Fico feliz por isso. '
'Feliz por eu estar com medo? Você é ruim. '
'Fique feliz por isso, pelo menos você nunca será enganado na sua vida. '
'Você vai ficar para sempre?'
'Até o final da sua vida. '
'Não acredito que tenho que ficar com essa voz para o resto da minha vida. '
'Pule de felicidade. '
 Quando fui perceber, já estava na escada da garagem de casa, não dava para ouvir a conversa de la, me sentei e abaixei a cabeça entre os meus joelhos e tampei meus ouvidos ao máximo que eu conseguir, apenas escutava meu coração bater como se estive-se na minha cabeça, em vez de estar no peito. Batia aceleradamente, fazendo eu sentir cada veia do meu corpo se mexer, fechei meus olhos o mais forte que conseguir, na tentativa de quando abri-los, tudo não ter passado de um simples sonho, quando eu abri me vi no mesmo local, senti alguém vindo atrás de mim, quando olhei vi meu pai com duas enormes bolsas que estavam pareciam cheias, havia tristeza no seu olhar, me levantei de imediato totalmente assustado com aquela cena, ele percebeu que eu havia me assustado e andou mais depressa na minha direção, chegando perto de mim a ponto de me dar um abraço apertado, não houve palavras algumas da parte dele, mais senti tudo que ele queria me passar, lagrimas escorreram rapidamente dos meus olhos fugindo totalmente do meu controle, senti uma dor que nunca tinha sentido antes no meio do meu peito, me faltava o ar, senti tudo rodar, fechei meus olhos na tentativa de não ver tudo rodar, senti ele me dando um beijo na testa, outras mãos me puxaram pela cintura, eram as mãos da minha mãe, ela me pois no seu colo e ouvi meu pai dizer com uma voz chorosa:
- Cuida bem dele, eu venho visita, precisar de alguma coisa me liga.
 Não ouvi a resposta da minha mãe, mais sei que ela soube responder apenas com o seu olhar. Meu pai seguiu para o carro, não queria ver a cena de ele ir embora, não agüentava mais ficar ali, aquela dor estava aumentando no meu peito, estava ficando mais difícil de respirar. Esforcei-me para sair do colo da minha mãe até que conseguir sai em disparada para dentro de casa, queria mais que tudo sair de perto daquela despedida, entrei pela cozinha e fui direto para o quarto deles, cai sobra cama e joguei tudo o que tinha em cima da cama sobre a minha cabeça, tentando abafar qualquer tipo de som que eu fize-se com meu intenso choro, sentia uma força descomunal passar pelo meu corpo e subir até a nuca, aquilo me fazia querer quebrar tudo que estava ao meu redor, meu peito queimava como se eu estive-se engolido um copo de água fervente, percebi que as lagrimas já haviam secado no meu rosto.
'Isso que você sente, se chama ódio garoto, isso pode doer mais será a sua melhor armadura para todos os problemas que iram vir, agora você precisa se controlar, parar de chorar. '
'E fazer o que mais? Eu acabo de ver meu pai ir embora... Para sempre, não sei o que fazer, não sei se tem algo que eu possa fazer. '
'Não tem mesmo, a única coisa que você pode fazer agora é se trancar no seu casulo fique em seu canto, não queria precisar de ninguém, você não precisa de ninguém, você tem a mim para lhe ajudar e tudo ficara bem, você vera. '
 Ja estava cansado daquela conversa, estava cansado daquele dia, queria me trancar em um mundo aonde não me existi ninguém, para eu poder soltar todos esses sentimentos que estavam me destruindo por dentro, gostaria que aquilo fosse apenas um pesadelo...”

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